Ora viva caro leitor (ou leitora)!
Por esta altura deve estar já a dizer para com os seus botões “mas que raio de título este!” Pois olhe, inspirado em todas estas revoluções que têm ocorrido nestes últimos dias resolvi fazer um paralelismo com a famosa frase “Viva la Revolución” referente a esta semana de greves que tem vindo a decorrer neste cantinho da europa.
E eis-nos chegados ao busílis deste post: as greves, nomeadamente a greve dos comboios, mais concretamente a greve da cp. Como será, certamente, do conhecimento geral, vivemos uma época de crise, de dificuldade. No entanto, tal crise, tais dificuldades parecem ser apenas para alguns. No sentido desta cadeia de pensamento surgem estes protestos em forma de greve: os trabalhadores não querem reduções dos seus salários e até aqui tudo bem, todos os trabalhadores deveriam estar a revoltar-se contra este actual estado de coisas!
No entanto, há aquelas alturas em que “epá, hoje não me dá mesmo jeito nenhum que haja greve”, altura essa que, para muito boa gente, coincide sempre com uma greve. Portanto, para estas pessoas, haja greve ou não haja, tem de haver sempre um comboiozinho para elas entrarem (e de preferência sem grande esforço!)
Agora vou fazer aqui um pequeno parênteses para introduzir o meu contacto com a greve: hoje, dirigi-me, como faço todos os dias, à estação do pinhal-novo para apanhar o comboio Fertagus em direcção a Lisboa. Ora pois que estava chovendo e como tal as ruas em redor da estação estavam congestionadas com os pais a levarem as criancinhas à escola (há uma escola preparatória ao lado da estação). Devido a esta grande afluência
de veículos privados, perdi o comboio das 8h! Assim tive que ficar dentro do carro à espera do próximo comboio daí a meia hora e pude assistir ao “pequeno-almoço” de uma gaivota que por ali se banqueteava com umas minhocas que aproveitavam a chuva para mudarem de poiso.
Resumindo, cheguei a Lisboa, à estação do Cais do Sodré, meia hora mais tarde do que era suposto, o que inicialmente parecia uma tragédia já que iria chegar mais tarde a Oeiras, onde estou a realizar a minha tese, e consequentemente iria de lá sair também mais tarde, o que acabou por se revelar não ser assim tão grande tragédia. Porquê? Porque, devido à greve dos maquinistas da CP, os dois comboios anteriores àquele que acabei por apanhar haviam sido suprimidos. Assim, foi uma sorte eu ter chegado à estação e estar lá aquele comboiozinho solitário “à minha espera”! Claro que esta “sorte” não foi assim tão grande sorte uma vez que, assim que cheguei junto à primeira porta do comboio, constatei que aquela carruagem estava completamente a abarrotar (estava literalmente atafulhada de pessoas!). O meu primeiro pensamento foi o de “epá, vou mas é esperar pelo próximo!” mas ainda bem que não lhe liguei nenhuma, porque a julgar pela hora prevista para a passagem do próximo comboio em sentido contrário ser apenas dali a uma hora, imagino que o próximo comboio no meu sentido demorasse ainda mais tempo. Assim, continuei percorrendo a plataforma da estação, pude observar dois fotógrafos que tiravam umas chapas às sardinhas enlatadas dentro da carruagem e pude ainda ouvir um senhor polícia dizendo para o outro “olha para isto, aqui o comboio tá com espaço de sobra e as pessoas vão logo para as primeiras carruagens”.
Lembram-se das pessoas a quem não lhes dava mesmo jeito nenhum a greve naquele dia x? Pois é! Essa raça de gente, são daquelas mentes bastante iluminadas que se preocupam tanto com a pessoa do lado quanto se podem preocupar em impedir que ela consiga chegar àquele lugar livre primeiro que elas! Sinal disso é precisamente o que aquele polícia constatou: as pessoas são um tanto ou nada idiotas e centradas em si próprias – com um comboio enorme com algumas 12 carruagens, têm mesmo de ir todas para as primeiras duas carruagens, deixando todas as outras livres!? Não seria bem mais fácil, tendo em conta que o comboio (desde que entrei nele) demorou pelo menos 15 minutos a sair, irem caminhando pela plataforma e escolherem um lugar vazio calma e civilizadamente? Mas não! Isso requer esforço, requer que as pessoas se tenham que movimentar mais, requer que percorram 10 metros em vez de 5! É uma grande canseira esses 5 metros a mais! Puxa…!
Em jeito de conclusão, deixo um pedido ao leitor e à leitora, numa situação de greve ou de atrasos, nos comboios ou outro meio de transporte, por qualquer outro motivo, por favor, mantenha a calma e a compostura, não empurre, não entre num comboio ou autocarro já cheio de gente e já atrasado. Pense um pouco, se forçar a entrada num comboio ou autocarro, este terá maior dificuldade em fechar as portas e se já está atrasado e o/a leitor/leitora está também atrasado para ir entrar ao serviço, ainda mais atrasado ficará se não deixar o transporte seguir com a maior brevidade possível! Ainda para mais que, muitas vezes nestes casos (de atrasos, as greves são excepções), há um comboio ou autocarro logo a seguir que grande maioria das vezes até vai quase vazio. Por isso já sabe, num comboio já cheio não vale a pena entrar, espere pelo próximo que virá mais vazio.

